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Moro ouve ex-executivos da Odebrecht em processo da Lava Jato que tem Lula como réu

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O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, ouvirá nesta quarta-feira (7) três testemunhas de acusação no segundo processo que tem o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como réu, na Justiça Federal do Paraná.

A audiência está marcada para as 14h e ocorrerá presencialmente, em Curitiba. Serão ouvidos: Hilberto Mascarenhas, Márcio Faria e Rogério Araújo. Todos eles são ex-executivos da Odebrecht e delatores da Lava Jato.

Nesta ação penal, o Ministério Público Federal (MPF) acusa o ex-presidente de receber como propina um terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula e um imóvel vizinho ao apartamento do petista, em São Bernardo do Campo (SP).

De acordo com a força-tarefa da Lava Jato, esses imóveis foram comprados pela Odebrecht em troca de contratos adquiridos pela empresa na Petrobras.

Lula responde, neste processo, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Outras sete pessoas também são rés. A ex-primeira dama Marisa Letícia chegou a ser acusada, contudo, Moro decretou a impossibilidade de puni-la. Marisa Leticia morreu em fevereiro deste ano.

O ex-presidente nega as acusações, e o Grupo Odebrecht tem afirmado que tem colaborado com as investigações. Instituto Lula afirmou que “nunca teve outra sede a não ser o sobrado onde funciona até hoje, adquirido em 1990 pelo Instituto de Pesquisas e Estudos do Trabalhador (IPET)”.

Denúncia

A Construtora Norberto Odebrecht pagou propina a Lula via aquisição do imóvel onde seria construída nova sede do Instituto Lula, em São Paulo, segundo o MPF. O valor, até novembro de 2012, foi de R$ 12.422.000, afirmam os procuradores.

Conforme a força-tarefa a Lava Jato, o valor consta em anotações de Marcelo Odebrecht, planilhas apreendidas durante as investigações e dados obtidos a partir de quebra de sigilo.

A denúncia afirma também que o ex-presidente recebeu, como vantagem indevida, a cobertura vizinha à residência onde vive em São Bernardo do Campo, interior de São Paulo. De acordo com o MPF, foram usados R$ 504 mil para a compra do imóvel.

Este segundo apartamento foi adquirido no nome de Glaucos da Costamarques, que teria atuado como testa de ferro de Luiz Inácio Lula da Silva, em transação que também foi concebida por Roberto Teixeira, em nova operação de lavagem de dinheiro, conforme a denúncia.

Tanto Glaucos da Costamarques quanto Roberto Teixeira também são réus no processo.

Os procuradores afirmam que, na tentativa de dissimular a real propriedade do apartamento, Marisa Letícia chegou a assinar contrato fictício de locação com Glaucos da Costamarques.

Outro processo

No outro processo em que o ex-presidente responde no âmbito da Lava Jato, na Justiça Federal do Paraná, os procuradores da força-tarefa da Lava Jato citam três contratos da OAS com a Petrobras e disseram que R$ 3,7 milhões foram pagos a Lula como propina. O ex-presidente nega as acusações.

Eles afirmaram que a propina se deu por meio da reserva e reforma de um apartamento triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo, e do custeio do armazenamento de seus bens.

Esta ação penal já está na fase final, das alegações finais. Na sexta-feira (3), o MPF pediu prisão do ex-presidente Lula e pagamento de R$ 87 milhões em multas no caso do triplex.

Agora as defesas de Lula e dos demais réus devem protocolar as alegações finais para, então, haver uma sentença do juiz federal Sérgio Moro. O prazo para os defensores contestarem os argumentos do MPF, dentro do processo, vai até o dia 20 de junho.

Informações G1 Paraná

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