Paraná News

Com Cabral preso, Pezão deu continuidade no mesmo esquema de corrupção

https://parananews.net.br/wp-content/uploads/2018/11/Pezão.jpg

Pezão foi preso por ter assumido o comando do esquema de Cabral, e desviado 40 milhões

A um mês do fim do mandato, o governador do Rio Luiz Fernando Pezão (MDB) foi preso ontem, pela Polícia Federal, no Palácio Laranjeiras, sede do Governo do Estado. A ordem judicial foi do ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). As investigações da Operação Boca de Lobo da PF que prendeu Pezão (MDB apontaram o desvio de pelo menos R$ 40 milhões, de 2007 até o início das investigações, em julho passado. A informação é do superintendente da PF no Rio, Ricardo Saadi.
As investigações da PF apontaram que Pezão sucedeu o ex-governador Sérgio Cabral (MDB), condenado e preso em outras fases da Operação Lava Jato, não apenas no cargo, mas também como chefe da “organização criminosa” que atuaria no governo do Estado do Rio. Pezão teria apenas passado a usar outros operadores administrativos e financeiros, disse o delegado federal Alexandre Bessa, responsável pela investigação.
O ponto de partida, segundo os delegados da PF, foram documentos colhidos em etapas anteriores da Operação Lava Jato do Rio, a Calicute e a Eficiência, além do depoimento em delação premiada de Carlos Miranda, tido como operador do ex-governador Cabral. “Identificamos que de fato a hipótese levantada pelas delações foram corroboradas por elementos externos e independentes”, afirmou Bessa, em entrevista coletiva.
Mesada – Na delação premiada, Miranda disse que Pezão recebia mesada de R$ 150 mil por mês, com direito a 13º pagamento, quando era vice-governador, entre 2007 e 2014. Esses valores estão incluídos nos valores apurados pela PF, somados a recebimentos posteriores. Segundo Bessa, a investigação coletou 22 anotações sobre Pezão.
A cobrança de propina em contratos com fornecedores e prestadores de serviços, na média de 5% sobre os valores contratados, se manteve durante a gestão Pezão. Bessa afirmou que contatos telefônicos e outros indícios apontam que a prática continuou até o início das investigações.
“O esquema era muito pujante até a crise econômica, mas sempre permaneceu”, afirmou o delegado, completando que as cobranças em cima das empresas eram fortes. No Rio, a PF evitou informar nomes de pessoas e empresas, mas informou que uma das operações investigadas foi uma licitação de R$ 100 milhões. Bessa citou obras de pavimentação como exemplo de licitações com propina.

Bolsonaro elogia operação
Após a prisão do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), o presidente eleito da República, Jair Bolsonaro (PSL), manifestou apoio à Operação Lava Jato. Pelo Twitter, Bolsonaro afirmou que a operação “está tirando o país das mãos dos que estavam destruindo-o”. “Os que hoje se colocam contra ou relativizam a Lava Jato, estão também contra o Brasil e os brasileiros. Todo apoio à operação que está tirando o País das mãos dos que estavam destruindo-o!”, escreveu o presidente eleito.
Em 2014,  Bolsonaro  declarou voto em Luiz Fernando Pezão para governador. “(O Francisco Dornelles) É um contrapeso que pesa. Pezão me ligou, já conversei algumas vezes com ele, vou apoiá-lo. Acredito que fará um governo equilibrado”, disse na época.
Questionado pela imprensa sobre o apoio do passado, Bolsonaro minimizou. “Qual o problema, rapaz?”, questionou. “Até casamento dá errado. Por que uma política não pode dar? Lamentamos o episódio (da prisão do atual governador). Lamento que a política do Brasil e do Rio de Janeiro tenham enveredado por esse lado da corrupção. Quem cometeu esses erros que pague o preço agora”, disse.
Também pelo Twitter, um dos filhos de Bolsonaro, o senador eleito Flavio Bolsonaro, afirmou que foi um dos primeiros deputados estaduais do Rio a defender o impeachment de Pezão. “Desde 2016 alerto para as consequências da corrupção e incompetência do governador Pezão”, escreveu.

Bem Paraná

PATROCINADORES

.