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Carne Fraca: e-mails mostram como frigorífico tentou abafar fraudes

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Polícia Federal investiga se BRF fraudava testes de laboratório para burlar fiscalização sanitária e vender produtos de origem animal ao exterior

“É um absurdo! É impressionante como sempre levamos bucha dos mesmos lugares”. Assim reagiu o executivo Pedro de Andrade Faria, ex-presidente da BRF, ao ser informado de que uma ex-funcionária da gigante do setor alimentício estava processando a empresa porque havia sido obrigada a fraudar exames de laboratório e esconder contaminação em carnes vendidas para fora do Brasil.

A mensagem de Faria, preso temporariamente nesta segunda-feira (5) durante a 3ª fase da operação Carne Fraca, faz parte de uma troca de e-mails interceptada pela Polícia Federal que levou à prisão do executivo e de mais dez pessoas. Todos são suspeitos de participar de um esquema que adulterava testes laboratoriais em produtos de origem animal para burlar regras de exportação e as fiscalizações sanitárias brasileiras. A empresa controla marcas como Sadia e Perdigão.

A troca de e-mails foi iniciada em 13 de agosto de 2015, com o assunto “Adriana Marques Carvalho – Supervisora de Laboratório”, em que funcionários do setor jurídico da empresa discutem o processo trabalhista de uma funcionária de Goiás que “afirma ter sido obrigada a alterar resultados de exames” para escapar da fiscalização e garantir a venda de um lote de produtos de frango para a Rússia.

Um ano antes, em junho de 2014, Adriana questionou uma superiora, também do setor de Garantia de Qualidade da BRF, Fabianne Baldo, para a quantidade excessiva de alterações em laudos que o laboratório sob sua supervisão era obrigado a fazer.

“Está acontecendo MUITO esses pedidos de alteração nos resultados, causando grandes transtornos em “passar a limpo” todas as rastreabilidades das análises, sem falar que corremos o risco de sermos “pegos” na mentira”, disse Adriana em e-mail para sua superiora. Fabianne também foi presa temporariamente nesta segunda-feira, mas já foi liberada, segundo a Justiça Federal do Paraná.

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